Sempre ouvi que nunca é demasiado tarde para se começar um novo capítulo. Há livros que estão nas prateleiras anos a fio, até que um dia o olhar num deles se fixa e as mãos se lhe retira o pó. Agarramo-lo como se o víssemos pela primeira vez. Uma relíquia por ler.
O Diário Metafísico foi meu livro de cabeceira durante muitos anos. Até ir adormecendo. Como todos os blogues. Saíram de moda, diz-se.
Ninguém hoje tem tempo para leituras lentas, além dos títulos estridentes na internet. E niguém perde mais do que 12 segundos para ver vídeos tolos que nos varrem o cérebro. Não vou escrever para essas pessoas. Vou escrever para mim. E para quem gosta de ler sem pressas.
Não sei porquê, hoje vim aqui parar. A esta prateleira empoeirada de palavras soltas. À minha relíquia. Nunca se queixou por não lhe ter voltado a tocar.
Há amores incondicionais.
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